Editorial

Edição nº1373 – quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Vazamentos e vazamentos

Em agosto deste ano, todos sabemos, uma apresentação circulou no Banco e passou pela mão de centenas de empregados. Com um slide comprometedor, poderia criar desagradáveis problemas para o recém-nomeado presidente do BNDES. A apresentação nunca chegou à imprensa. Mas esse evento ficou conhecido como um "vazamento" de informações. Punição exemplar foi demandada para pedagogicamente explicitar que vazamentos não são mais toleráveis. Centenas de pessoas... e nada na mídia. Alguém poderia perguntar: Será que esse episódio revela uma instituição que realmente possui um problema crônico com vazamento de informações? Boa pergunta, mas não foi considerada relevante. Como todos também sabemos, um empregado foi há pouco sumariamente demitido para servir de exemplo.

Vejam, nesta edição, a corajosa e indignada carta de Gustavo Medeiros. Por favor, leiam o texto e comparem com as informações que chegaram até vocês sobre o que ele teria feito. Se há boas razões para demiti-lo, por que mentem? E o que mais preocupa na atual condução jurídica do Banco é até onde vão para agradar a atual administração. Defender que empregados do BNDES não têm direito à ampla defesa e ao contraditório? É possível mesmo que tenham topado ser sócios de uma empreitada covarde como essa a ponto de interpretar nosso Acordo Coletivo de Trabalho de modo a fragilizar a situação de todos os empregados do Banco? Quem são essas pessoas? Que relação possuem com o BNDES?

Esta semana o jornal Valor Econômico divulga que o Banco venderá R$ 38 bilhões em ações no próximo ano. Segundo a reportagem, o "plano é vender a segunda tranche de ações da JBS, uma participação relevante em Petrobras, as ações da Copel e as da Tupy". Depois, a matéria informa o que vai ser vendido no primeiro semestre, no segundo etc. Uma fonte diz que "esse é um cronograma discutido com o Conselho do BNDES". Procurado pelo Valor, o Banco responde que "não comenta estratégia no âmbito de suas companhias investidas". Quem é essa fonte? Será que um técnico poderia estar tão bem informado sobre a discussão do Conselho? O que foi revelado é verdade ou mentira?

Entendemos esse segundo caso como um verdadeiro vazamento. Uma informação confidencial chegou à imprensa. E ela não prejudica a empregabilidade de uma pessoa, mesmo que esta pessoa seja o presidente do Banco. Prejudica a credibilidade de toda uma instituição. Por outro lado, favorece um grupo muito especial – aquele a que chamamos de mercado financeiro. Já foi aberta uma sindicância para apurar esse vazamento?

Em tempo: esse editorial homenageia a 4ª semana de ética e integridade do BNDES.

 

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Além de brinquedos e material escolar, os interessados podem doar: roupas e calçados de todos os tamanhos; alimentos não perecíveis; itens de higiene pessoal; material de limpeza; roupas de cama e toalhas.

Quem preferir também pode fazer um depósito na conta corrente do Comitê (Banco Itaú, agência 1964, conta 11.280-7).