Editorial

Edição nº1360 – quinta-feira, 29 de agosto de 2019

Luta contra o obscurantismo, o entreguismo e em defesa da soberania

Instituição caracterizada pelo orgulho de sua capacidade técnica, avessa a filiações políticas, tolerante com a pluralidade de seus membros, o BNDES e seus empregados foram pegos numa conjuntura histórica desconcertante.

A importância da instituição e sua presença em quase todos os campos que contribuem com as várias dimensões da vida econômica, social e cultural do país envolvem o BNDES em várias arenas de batalha nas quais o atual governo lidera um processo de destruição institucional.

O desastre internacional da política para a Amazônia é extremamente revelador da incompatibilidade desse governo com os desafios impostos para um país da importância do Brasil. É interessante o desdobramento recente em que o mais entreguista dos governos da história brasileira ousa buscar refúgio no discurso da soberania nacional.

Ora, são eles que colocam em risco nossa soberania ao adotar uma política evidentemente irresponsável para a floresta amazônica, num contexto de aquecimento global. Quão difícil será num futuro próximo mobilizar uma intervenção armada internacional voltada para tomar conta da Amazônia, num mundo caracterizado por desastres ambientais associados à mudança climática?

Não vai ter discurso de general que mude isso. A exploração sustentável da Amazônia é importante para o Brasil e para o mundo. O país precisa da floresta, para a manutenção do seu regime de chuvas e clima, e pode, se aprender a explorá-la de forma sustentável, encontrar nela um dos impulsionadores fundamentais do seu desenvolvimento. A quem interessa sua destruição? E quem vai defender o direito de o Brasil se destruir e destruir a vida na Terra? A soberania que propagam é a da pura bravata, buscando ganhar apoio de curto prazo para o desastre que cultivam a médio.

Ignoraram o desafio do Brasil porque uma das forças ideológicas desse governo é a visão popular do Brasil como país esculhambado, que nada fez e que nada fará. O Brasil como piada. O Brasil que em Davos nosso presidente defendia que deveria ser visitado por ter praias muito bonitas. Nós, que trabalhamos numa entidade que destacadamente ajudou a construir este país, não podemos nos tornar canal de difusão dessa ideologia.

Como reagir a isso? É possível se concentrar apenas no trabalho técnico e rezar para que os programas fundamentais em que o BNDES se envolveu sejam mantidos? A atual Administração não está empenhada apenas em apontar novos caminhos, mas em destruir o que foi feito no passado. Nossa postura sobre isso deve ser a da altivez. Que as políticas adotadas no passado sejam debatidas, mas que elas sejam representadas pelo que foram. Devemos combater toda forma de desfiguração dessas políticas públicas com o objetivo da manipulação político-eleitoral. O caso dos jatinhos é um primeiro exemplo do que vem por aí.

Outros óbvios casos vão passar por desafios semelhantes: operações de exportação de bens e serviços de engenharia, atuação da BNDESPar na consolidação e desenvolvimento de grupos nacionais, os chamados “campeões nacionais, a atuação do Banco como gestor do Fundo Amazônia, como financiador de máquinas e equipamentos com conteúdo nacional etc. Embora acreditemos que todas essas políticas precisam ser submetidas a um exame crítico, se possível em debate com a sociedade, isso de forma alguma deve ser confundido com a criação de caricaturas repletas de desinformação que ultraliberais e obscurantistas insistem em propagar.

A diferença na análise corresponde à diferença de propósito. Nós queremos aperfeiçoamentos, queremos colaborar para que o país reencontre o caminho do desenvolvimento. Eles propõem o niilismo, onde se combinam as fantasmagorias liberais do mercado autorregulado que tudo resolve e os delírios de combates imaginários dos obscurantistas. A fraqueza deles reside de forma cada vez mais evidente na falta de proposta, no vazio, na fundamentação exclusivamente ideológica das poucas propostas que formulam e, mesmo, nas características pessoais dos quadros que conseguem recrutar para implementá-las.

Não é o momento de esmorecer e de entrar em desespero. O momento é de estarmos unidos em torno da AFBNDES, em defesa do BNDES e do nosso país. Não fomos nós que escolhemos estar trabalhando no Banco nesse momento histórico, mas cabe a nós decidir como reagir a ele.

 
 

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