Opinião

Edição nº1381 – quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

Os parasitas e hospedeiros que detonam nosso dinheiro

Sírlia Lima

Professora e poetisa potiguar

Ao ministro Paulo Guedes,

 

 I

Os funcionários públicos

Não merecem essa desdita

Ao ouvir uma boca suja

Nos chamar de parasita

Feche a boca seu Ministro

Sua fala é maldita!

 

II

Li a sua biografia

E lá pude constatar

Seu pai era esforçado

Vendia material escolar

Sua mãe trabalhava

Para poder lhe sustentar

 

III

E assim você cresceu

Foi para a Universidade

Estudou no estrangeiro

Com bolsa, é bem verdade

Agora quer tratar o povo

Com muita perversidade

 

IV

Você pode ser um ás

Lá na sua economia

Mas não tire do povo

O seu pão de cada dia

Já que os grandes continuam

Tendo a mesma mordomia

 

V

Tenha cuidado Ministro

Com a forma de falar

Existem imperfeições

No público ou no particular

Se não tem fiscalização

Muitos podem abusar

 

VI

Sou contra funcionários

Que agem de má-fé

Que discriminam as pessoas

Mesmo sem saber quem é

Se fossem punidos

Atiravam no próprio pé

 

VII

Sou a favor que o funcionário

Trabalhe satisfeito

Com um sorriso no rosto

Trabalhando direito

Para o progresso do país

Isto seria perfeito

 

VIII

Funcionários puxa-sacos

São aqueles das elites

Como cães acuados

Aguardando por convites

De políticos corruptos

Espero não se irrites

 

IX

Parasitas seu ministro

Eu vou lhe dizer

São muitos dos abutres

Que ocupam o poder

Que vem da classe pobre

E começam a apodrecer

 

X

O que falta neste país

É um bom gerenciamento

No público ou no privado

Para quem tem entendimento

Se tem funcionários ruins

Tem mal gerenciamento

 

XI

Vou citar a minha classe

Represento trabalhadores

Uma classe que luta

Somos nós Professores

Nem recebi meu piso

Temos perdas aos horrores

 

XII

Lamento que o Senhor

Que se diz economista

Fala tanta asneira

Expondo seu ponto de vista

Só por que é um banqueiro

Com o povo és egoísta

 

XIII

Nunca mais senhor Ministro

Soube o que é um reajuste

Em minhas economias

Tenho que fazer ajuste

Você foi infeliz

Sua fala é um embuste

 

XIV

Trabalho com educação

E para poder atuar

Tiro dinheiro do bolso

Se quiser concretizar

Conto com as gestoras

Para poder amenizar

 

XV

Trabalho com educação

E quero levar esperança

Por isso dou o meu melhor

Para educar a criança

Sua fala me enoja

Quase perco a temperança

 

XVI

É muito fácil falar

Sem pensar na realidade

Penso nos meus alunos

E na dificuldade

Sem saber se viverão

Até a maior idade

   

XVII

Muitos são filhos

De pessoas decentes

Mas as oportunidades

Não foram suficientes

Muitos pais sem instrução

Tratados como indigentes

 

XVIII

Dos versos da Bíblia

Vou fazer reflexão

No Capítulo quinze

Aprenda a lição

O mal é o que sai da boca

Pois reflete o coração

  

XIX

Ouço as falas do governo

Que abusam do discurso

Quer culpar o povo

Se corrompem no percurso

Com os ricos ninguém mexe

Sempre entram com recurso

  

XX

Falam em igualdade

Pregam a isonomia

Não é a mesma para todos

A tal aposentadoria

Se houvesse igualdade

Ninguém reclamaria

       

XXI

Puxaram a sardinha

Para o lado militar

Para o pobre, a chibata

Querem nos escravizar

Nem que haja um levante

Nós não vamos aceitar

     

XXII

Por isto nada dá certo

Neste país tudo enguiça

Eles são incompetentes

E nós quem temos preguiça?

É mesmo sem noção

Não tem senso de justiça

      

XXIII

A reforma trabalhista

Não foi nada cortês

Fez o povo virar escravo

Fez o povo virar freguês

O povo perde o direito

Favorece o burguês

 

XXIV

Na América do Norte

O sistema é diferente

Por favor não compare

Não seja intransigente

Funcionário habilidoso

Faz carreira, vai para frente

   

XXV

Quando ouvi sua fala

Comecei a meditar

aposentadoria generosa?

Só se for a parlamentar

Cinquenta por cento de aumento?

Tu estás a delirar

 

XXVI

Eu sou uma Professora

Pouco sei de economia

Queria ver Paulo Guedes

Vivendo sem regalia

Ganhando o que eu ganho

O discurso mudaria

 

XXVII

Os brasileiros querem

Ver o seu país no alto

Acabe com as regalias

Do Palácio do Planalto

Vai ter grande economia

E dará um grande salto

    

XXVIII

Pague o salário do professor

Aos políticos do Congresso

Que só nos trazem atraso

Verdadeiro retrocesso

Valeria o nosso lema

Que é ordem e progresso

    

XXIX

Controle sua fala

Ao se referir ao povo

Ou vai ter que se esconder

Para poder não levar ovo

Se continuarem falhando

É impeachment de novo

   

XXX

A cúpula deste governo

Precisa de formação

Aula de etiqueta

E de comunicação

De valores éticos

É falsa, a moralização

 

XXXI

Ministro, o Parasita

E o tal do Hospedeiro

São vermes do Planalto

E do Congresso inteiro

Que ganham sem fazer nada

E exploram o brasileiro

 

XXXII

Querem tirar o direito

De fazer uma leitura

Para manter a ignorância

Querem trazer a censura

Mas nós somos libertos

Por nossa literatura!

                                  

 

Editorial

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