Institucional

Edição nº1392 – sábado, 16 de maio de 2020

BLOG do Desenvolvimento/Agência BNDES de Notícias

O Complexo Industrial da Saúde em tempos de pandemia

A pandemia de Covid-19 colocou os holofotes sobre os sistemas de saúde. A ausência de vacinas, medicamentos ou outros tratamentos contra o novo coronavírus nos obrigou a adotar estratégias de isolamento social, enquanto Estados e empresas concentram o investimento nos esforços para obter uma solução segura e eficaz. O manejo da pandemia depende também de uma base industrial capaz de produzir testes de diagnóstico, equipamentos de cuidados intensivos e até itens mais simples, como máscaras e álcool. Como a pandemia afeta grande parte dos países, há uma disputa internacional por esses insumos, que se tornaram escassos de um ano para o outro. 

Questões como desabastecimento de medicamentos e autonomia na produção de vacinas são recorrentes para quem acompanha mais de perto a gestão do sistema de saúde. Essas preocupações geralmente passam ao largo do debate público mais amplo, possivelmente porque o sistema de saúde brasileiro tem conseguido atendê-las. No início de 2017, por exemplo, o Brasil atravessou um surto de febre amarela, uma doença viral que havia sido erradicada há muito tempo graças à existência de uma vacina segura e eficaz. Diante do surto, o país pôde contar com sua base industrial de fabricantes de vacinas, destacadamente a Fiocruz e o Instituto Butantan, além de empresas privadas. Sem essa capacidade, quanto custaria aos cofres públicos ou aos indivíduos adquirir no mercado uma vacina no meio de um surto? 

Preparar o sistema de saúde para o que pode dar errado não é tarefa simples. Requer a construção de uma base produtiva e científica sólida, que seja sustentável em tempos normais, mas também capaz de dar respostas a uma ampla gama de possibilidades de crises imprevistas. 

Uma dessas frentes de preparação para um sistema de saúde resiliente a longo prazo foi nas últimas décadas o campo da biotecnologia. A aplicação da tecnologia do DNA recombinante no desenvolvimento e na produção de medicamentos e vacinas revolucionou a indústria farmacêutica nos últimos trinta anos, permitindo a identificação mais precisa de alvos terapêuticos, a redução de efeitos colaterais e o tratamento de doenças antes não atendidas. 

Especialmente a partir da década de 2010, diversas instituições brasileiras formularam, de forma coordenada, uma série de políticas públicas voltadas à internalização dessa base produtiva, visando a diminuição dos preços de biofármacos, a sustentabilidade do sistema público de saúde e o fomento à inovação tecnológica. O BNDES contribuiu para a formulação e condução dessas políticas, sempre em parceria como Ministério da Saúde,Anvisa e outros órgãos governamentais. 

Na próxima edição do periódicBNDES Setorial, os economistas do BNDES Beatriz Meirelles, Vitor Pimentel, Adriana Inhudes e Carla Reis fazem um balanço da estratégia de inserção brasileira na biotecnologia farmacêutica. Os autores mapearam o atual cenário quanto à instalação de plantas industriais, a internalização de competências tecnológicas, a concorrência no mercado de medicamentos biológicos, os preços pagos pelo SUS e o valor das importações, e identificaram eventuais insuficiências no desenho ou dificuldades na condução das políticas. 

A produção e o desenvolvimento de medicamentos biotecnológicos constituem apostas fundamentais para que o país seja capaz de atender necessidades de tratamento rotineiras e de responder a crises sanitárias do presente e do futuro. 

Fonte: Blog do Desenvolvimento / Agência BNDES de Notícias (12/05/2020)

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Sobre o mesmo tema, Pedro Palmeira deu uma entrevista ao VÍNCULO (nº 1228), em 18 de novembro de 2016. falando de sua trajetória na área: “A internalização da rota biotecnológica para a produção de medicamentos no Brasil, ainda não concluída, foi o fato mais marcante de toda a minha carreira profissional”, dizia o ex-chefe do Defarma.

 

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Presidente da SBPC fala sobre a Marcha Virtual pela Ciência 

Em mais um episódio do projeto “Brasil Amanhã – Encontros virtuais em tempos de pandemia”, o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), professor Ildeu Moreira, fala sobre a Marcha Virtual pela Ciência realizada em 7 de maio, com ações nacionais para sensibilizar gestores públicos e a sociedade sobre a importância de se investir na educação e na ciência. Mais de 1 milhão de pessoas foram impactadas nas redes sociais pelas atividades e debates on-line realizados com especialistas de todo o país. Na ocasião foi divulgado o manifesto “Pacto pela Vida e pelo Brasil”, que propõe, neste momento de grave crise, pontos comuns para toda a sociedade: “a defesa da vida de todos os brasileiros, inclusive os mais pobres, e a necessidade de se pensar coletivamente a recuperação da economia, e a essencialidade da educação, da ciência e da tecnologia”, destaca Ildeu.

Além de presidente da SBPC, Ildeu de Castro Moreira é professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Trabalha nas áreas de física teórica (sistemas não-lineares), história da ciência, em particular história da ciência no Brasil, e comunicação pública da ciência. Entre as muitas atividades, foi editor científico da revista Ciência Hoje (1988/96) e membro de comitês editoriais de diversas revistas científicas. Recebeu, entre outros, o Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica do CNPq. 

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