Institucional

Edição nº1397 – terça-feira, 23 de junho de 2020

 

“Guedes tem um projeto ideológico, e se puder acabar com os bancos públicos, ele acaba”, diz Nogueira da Costa 

Professor da Unicamp, economista criticou, em live promovida pela AFBNDES, postura da equipe econômica diante da crise provocada pela pandemia e processo contínuo de descapitalização do BNDES

reprodução

 

A próxima live do canal da AFBNDES no YouTube está marcada para o dia 30 de junho, às 15h. O presidente da Associação, Arthur Koblitz, receberá o professor José Luis Oreiro, professor associado do Departamento de Economia da Universidade de Brasília. Na última terça-feira (16), Koblitz conversou com Fernando Nogueira da Costa, professor-titular do Instituto de Economia da Unicamp, sobre “A desigualdade da riqueza financeira no Brasil”.   

Para o professor, retirar do BNDES seu caráter essencialmente desenvolvimentista parece ser a meta irremediavelmente irrevogável do atual governo, cuja base ideológica consiste em uma sequência do governo anterior, responsável por deflagrar uma política de descapitalização do banco de desenvolvimento, que acabou se intensificando com a atual equipe econômica sob o comando do ministro Paulo Guedes. O resultado dessa manobra política é o enfraquecimento dos bancos públicos, os únicos capazes de exercer papel preponderante de socorro ao país durante a pandemia do novo coronavírus.  

“Guedes tem um projeto ideológico, e se puder acabar com os bancos públicos, ele acaba”, afirmou Nogueira da Costa, para quem os bancos estatais são essenciais no combate a qualquer contexto de crise econômica. “A política monetária no Brasil tem de ser mais exagerada que as do resto do mundo porque os bancos públicos não deixam aprofundar a recessão. Os bancos financiam a oferta agregada. Caso contrário, teríamos recessão”, completou o economista, ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal de  2003 a 2007, e autor de algumas das principais obras que discutem a economia brasileira, dentre as quais “Brasil dos Bancos” (Edusp, 2012), “Métodos de Análise Econômica” (Editora Contexto, 2018) e mais recentemente o livreto eletrônico “Como salvar o Brasil”, no qual aborda a necessidade urgente de um projeto social-desenvolvimentista para o país. 

Para Koblitz, havia um BNDES pujantemente capitalizado com injeções do Tesouro Nacional quando a recessão começou em 2015. “Poderiam ser contra os investimentos que o BNDES apoiou. Agora, a lógica de descapitalizar o Banco sucessivamente e continuar fazendo isso mesmo em meio a essa pandemia é uma loucura”, argumentou o presidente da AFBNDES. 

Na primeira live promovida pela Associação, em 9 de junho, Arthur Koblitz conversou com o economista Nelson Marconi, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sobre o “Papel do setor público para a retomada do crescimento”.

 
 
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A pandemia de Covid-19 evidenciou que tecnologias elementares da vida moderna, mas que ainda não são acessíveis a milhões de pessoas no mundo, tornam-se ainda mais urgentes quando a saúde é colocada em jogo. Estamos falando, por exemplo, de saneamento básico, água potável e energia elétrica. Para o diretor do Museu da Amazônia, Ennio Candotti, convidado da 26ª apresentação da websérie Brasil Amanhã – Encontros virtuais em tempos de pandemia, cabe à Engenharia baratear o acesso a essas tecnologias, criando soluções para cada contexto social e cultural. E mais: a pandemia nos mostrou que apesar de termos desenvolvido, e muito, as tecnologias computacionais nas últimas décadas, ainda sabemos pouco sobre doenças virais. Para ele, urge também transparência no desenvolvimento das pesquisas científicas e mesmo revisões no que entendemos como propriedade intelectual ao falarmos de medicamentos e vacinas que podem ajudar a garantir o respeito aos direitos humanos frente à prepotência dos direitos de propriedade. A websérie é organizada pelo Clube de Engenharia. 

Ennio Candotti é físico, ítalo-brasileiro, naturalizado, formado pela Universidade de São Paulo e pela Università degli studi di Napoli. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) de 1974 a 1996 e da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) de 1997 a 2008, foi por quatro mandatos presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Atualmente é diretor do Museu da Amazônia (MUSA).