Editorial

Edição nº1397 – terça-feira, 23 de junho de 2020

 

A jornada da “União pelo Desenvolvimento”

Com o final do atual mandato, completamos quatro anos à frente da AFBNDES. A gestão atual – “União pelo Desenvolvimento” – deu continuidade ao trabalho iniciado pela chapa “Reconstrução”, eleita em julho de 2016.  

Nesta edição do VÍNCULO, fazemos um balanço das lutas e avanços dos últimos dois anos. Complementam esta prestação de contas”, os vídeos que divulgamos na semana passada, registrando cinco campanhas em que nos envolvemos ao longo desses dois mandatos no comando da AFBNDES: defesa da TJLP (ou crítica à TLP); defesa dos colegas conduzidos coercitivamente na operação Bullish; defesa do Fundo Amazônia e da governança do Banco; defesa dos repasses do FAT para o BNDES durante a tramitação da PEC da Previdência; defesa da BNDESPar e contra procedimentos de venda suspeitos propostos pela atual administração (que acabaram por levar ao afastamento do diretor André Laloni). Quem imaginaria que passaríamos por todas essas batalhas nesses anos? Certamente, não os que resolveram entrar para a diretoria da AFBNDES em julho de 2016.  

Mesmo depois da pesada experiência do primeiro mandato, fomos completamente incapazes de antecipar o que nos aguardava no segundo. As teorias correntes no Banco de que a onda contra o BNDES passaria com o tempo, com a demonstração do vazio das denúncias, com o depoimento de presidentes da instituição, se mostraram equivocadas. Contra o BNDES pesava defendíamos duas ondas convergentes de ataques: o populismo de direita, que cresceu no país com o desgaste crescente do governo do PT, e o ataque mais sistemático e de longo prazo dos ultraliberais contra a razão de ser do BNDES.  

O movimento populista conservador pode ser dividido em duas correntes. A primeira, de cunho abertamente obscurantista, baseia-se numa espécie de revival da propaganda anticomunista mais vigarista da Guerra Fria. Esta é a turma que vê em tudo a conspiração do Foro de São Paulo e do partido comunista chinês. O alvo preferencial aqui são as operações de exportação de serviços de infraestrutura do BNDES. É a linha dos olavistas, seguidores do guru do presidente da República.  

A segunda vertente dessa crítica conservadora está ligada ao que é chamado de lava-jatismo, ou seja, à corrente de opinião pública formada pelos entusiastas da cruzada moralista do ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro. Uma novidade da última semana é exatamente os primeiros sinais de que esse partido da moralidade está em organização e que o BNDES será um de seus alvos. A revista Crusoé, ligada ao site Antagonista, retomou o tema da “caixa-preta” do BNDES, com base no vazamento de um processo de investigação no TCU. Requentando denúncias conhecidas, tratadas como provas definitivas, numa abordagem acusatória triunfalista, a revista, que agora conta com o próprio Sergio Moro como articulista, mostra que esse grupo continua acreditando que perseguir o BNDES vende revistas e dá voto. Em outra evidência dessa reação coordenada, o procurador Deltan Dallagnol saiu do relativo silêncio em que se encontrava depois das revelações da Vaza Jato” para se manifestar no Twitter contra a suposta “caixa-preta”.  

Nesta edição do VÍNCULO, publicamos carta do ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho respondendo a reportagem divulgada pela revista digital Crusoé, em 12 de junho, e reproduzida no site “O Antagonista”. A carta de Coutinho não foi publicada pela revista, que considera já ter aberto espaço para o contraditório ao procurar o BNDES presidido por... Gustavo Montezano. O BNDES preferiu não se manifestar. Alguém surpreso?  

Outro lado do ataque ao BNDES vem e continuará vindo dos ultraliberais brasileiros. A corrente mais tosca, anti-intelectual, da qual faz parte praticamente toda a equipe econômica atual uma combinação de quadros do mercado financeiro, empresáriospicaretas’, economistas puramente ideológicos e até alguns olavistas – desmoraliza-se rapidamente junto com o outro guru, o ministro da Economia Paulo Guedes.            

A desmoralização de Guedes, note-se, é um dos sinais mais evidentes do derretimento do atual governo. A percepção do ministro na opinião pública passou de fiador de Bolsonaro – ou seja, de alguém que gozava de respeito e reputação a ponto de ser capaz de transferir esses atributos ao então candidato a presidente – para a de alguém amplamente considerado incompetente e despreparado. E isso apesar de toda a simpatia com que a mídia mainstream tratou o ministro e sua agenda. O último episódio vergonhoso protagonizado pelo ministro foi a apresentação “A reconstrução do Estado”, em que coloca os funcionários públicos como o grande inimigo da população brasileira. Uma apresentação repleta de dados estatísticos grosseiramente manipulados. Na justamente repudiada reunião ministerial do dia 12 de abril, vemos Guedes como ele é: um homem em total sintonia com Bolsonaro. Fica claro, depois de um ano e meio de governo, porque nunca pôde cumprir a função de “domesticador” do presidente (pretensão revelada na reportagem “O Fiador” da Revista Piauí, mencionada em editoriais anteriores). Como o faria sendo ele mesmo um “selvagem”?  

Mas a luta contra o BNDES que tem origem nos ultraliberais não morrerá com Guedes e cia. Para além da ideologia, há uma base social forte no mercado financeiro que mostra de forma nua e crua a razão fundamental de seu apoio ao ministro. Querem ganhar comprando e vendendo ativos públicos. Despudoradamente, depois de alguma hesitação, a atual equipe econômica pretende manter sua agenda, integrada pelo programa de privatização incluindo a venda da carteira da BNDESPAR no meio da maior crise econômica da história do Brasil.  

Não temos mais ilusões. Isso é parte da conjuntura que continuaremos a viver. Não temos dúvida de que os próximos dois anos serão tão ou mais intensos que os quatro que passaram.  

Talvez tão importante quanto as campanhas que organizamos no BNDES e nossa ação na imprensa, na Justiça, no TCU e no Congresso Nacional, tenha sido a mudança organizativa que operamos dentro da AFBNDES. Esta mudança também teve custos políticos, mas sem ela não poderíamos contar com a estrutura atual da Associação para exercer seu papel de defensora do BNDES e de seus empregados. Tudo isso consumiu energias importantes dos que estiveram na diretoria da AF. Democraticamente, a maioria da diretoria se posicionou em defesa das mudanças administrativas internas, que temos certeza são apoiadas pela imensa maioria dos associados. Conseguimos fazer com que o Clube da Barra alcançasse autossuficiência e estamos avançando para que a Pousada Itaipava siga o mesmo caminho. Isto junto com a melhoria dos serviços prestados por essas unidades recreativas.  

A diretoria formada pela chapa União pelo Desenvolvimento entende que honrou o compromisso que estabeleceu com seus eleitores em 2016. Deu muito trabalho, mas também muita satisfação, o que conseguimos fazer.  

Agradecemos muito o reconhecimento e o carinho que tivemos dos colegas do Banco. Nem por um minuto tivemos dúvida de que sem a participação, o apoio e a coragem dos empregados do BNDES poderíamos pouco ou quase nada. 

Acreditamos que para a maioria esses anos terão sido inesquecíveis. Nossa relação com o BNDES e com os nossos colegas mudou. Nossa identificação com a instituição aumentou. Colegas benedenses, é preciso dizer: a luta ainda não acabou. Vamos continuar nossa trajetória em cima do que realizamos nesses últimos anos.  

Nós defendemos e defenderemos o BNDES. E você?  

Viva o compromisso do benedense com sua instituição e a causa do desenvolvimento nacional!

 

 
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