Movimento

Edição nº1403 – sábado, 1º de agosto de 2020

As consequências do teletrabalho em live do Sindicato dos Bancários

O Sindicato dos Bancários do Rio realizou uma live sobre teletrabalho na última quarta-feira (29), com a participação da presidenta da entidade, Adriana Nalesso, da presidenta do Sindicato dos bancários de São Paulo, Ivone Silva, e de dois economistas do Dieese, Bárbara Vallejos e Fernando Amorim. 

Bárbara falou sobre a elevação da jornada de trabalho e sobre os efeitos físicos e psicológicos que começam a ser estudados em relação ao teletrabalho, baseada em pesquisa sobre o tema feita pelo Dieese. O Departamento Intersindical elaborou um questionário sobre teletrabalho com 33 perguntas, envolvendo 11 mil bancários. Cerca de 36% dos pesquisados disseram que sofreram aumento da jornada com o trabalho em casa e 26% que, apesar de estarem trabalhando mais, não estão recebendo hora extra e nem utilizando banco de horas. Já 33% admitiram que não possuem qualquer controle sobre sua jornada. 

Em relação às condições de trabalho, muitos bancários disseram que estão trabalhando em locais compartilhados com a família, sem espaço separado ou escritório para exercer suas atividades e sem equipamentos de qualidade para trabalhar. “Mais da metade dos pesquisados diz que não sabe a quem recorrer em caso de problema surgido na rotina de trabalho, para quem ligar numa necessidade de resolução de um impasse. Todos disseram que estão gastando mais com luz, Internet e água e com as despesas necessárias”. 

Para a economista, é preciso desmistificar a ideia de que o trabalho em casa é um privilégio. “Há uma situação contraditória em relação ao teletrabalho. Existe uma construção cultural que faz com que estes trabalhadores sejam vistos como ‘privilegiados’, mas a realidade não é bem assim. Nestas situações, o empregado tem que resolver tudo sozinho. Em casa, verificamos ainda que há elevação da jornada na medida em que não é possível separar o que é vida privada do trabalho”, afirmou, destacando que este novo modelo pode elevar a sobrecarga de trabalho e a exploração, resultando em mais adoecimentos dos empregados.

“Estudos mostram que o teletrabalho poderá criar o adoecimento de uma geração inteira”, declarou, falando da possibilidade de aumento de doenças ocupacionais em função do desgaste físico e especialmente psicológico do trabalho em casa. Citou a sensação de solidão e a de que o trabalhador não tem o seu esforço visto pela empresa, além da falta de interação com colegas como efeitos psicológicos nocivos à saúde.   

Bárbara lembrou que não existe ainda no Brasil uma regulamentação para o home office e as empresas estão se aproveitando disto para explorar ainda mais a mão de obra. “Os bancos trabalham com a lógica de que, se os ganhos vão cair com a crise causada pela pandemia, as despesas também precisam ser reduzidas e o teletrabalho poderá representar redução de despesas administrativas e com pessoal”, disse a economista, citando o caso do Banco do Brasil, que já anunciou uma economia de R$180 milhões em um ano apenas com aluguéis de prédios que a empresa está entregando.

A especialista apontou ainda a diferença entre o teletrabalho, que possui uma regulamentação criada pela reforma trabalhista, e o home office: “O teletrabalho é qualquer atividade mediada por uma plataforma, como é o caso do telemarketing, e o home office é um trabalho remoto realizado em domicílio e por isso precisa de regulamentação específica”.

 

Ivone Silva, presidenta do Sindicato de São Paulo, disse que o uso das novas tecnologias no trabalho é uma transição e que os sindicatos precisam participar dos debates e das negociações sobre o tema. “A tecnologia não pode servir apenas para os bancos e empresas elevarem os seus lucros, mas tem que ser um instrumento para melhorar a qualidade de vida das pessoas, possibilitando, inclusive, a redução da jornada de trabalho”, avaliou.

 

O economista Fernando Amorim, que presta assessoria ao Sindicato dos Bancários do Rio, falou sobre as dificuldades das negociações das categorias de trabalhadores no Brasil diante da crise gerada pela pandemia da Covid-19 e da atual conjuntura de ataques aos direitos trabalhistas.

 

Lembrou que vários setores, como o comércio, já se encontravam em dificuldade antes mesmo da pandemia, o que tornou as negociações ainda mais difíceis em função da redução de demandas e da alta do desemprego. Mas, segundo o técnico, este não é o caso do sistema financeiro, que continua tendo lucros recorrentes mesmo diante da crise sanitária. “Estamos diante de uma inflação entre 2% e 3%, que representa uma baixa histórica. Teoricamente isto poderia facilitar o ganho real”, disse, ressaltando, porém, que esta situação é fruto da recessão que leva o trabalhador a consumir menos, segurando os preços dos produtos em função da falta de demanda.

 

Adriana Nalesso, presidenta do Seeb-Rio, que mediou o debate, disse que recebeu várias mensagens de bancários durante a live relatando que se sentem isolados e ainda mais cobrados com o trabalho em seus domicílios. Falou também da importância dos itens de reivindicações relacionados à saúde e à prevenção da Covid-19. “Com esta situação de avanço da pandemia, temos que defender a vida acima de tudo”, afirmou.

 

“Muita gente que vê o funcionário do banco bem arrumado e a bancária maquiada não tem ideia da realidade dura do trabalho cotidiano da categoria. A sociedade não sabe que o banqueiro não olha para as pessoas, mas se preocupa apenas com seus lucros. É hora de todos os bancários e bancárias nos ajudarem na luta desta campanha salarial, participando das atividades nas redes sociais”, concluiu.  

 

Para assistir à live, clique aqui.  

Fonte: Seeb-Rio.

 

 

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