Opinião

Edição nº1417 – quinta-feira, 19 de novembro de 2020

Tempo de Aposentado – Tempo de Sonhar...

Israel Blajberg

Engenheiro aposentado do BNDES (*)

Sou um benedense aposentado... Vivendo os dias de pandemonium... Pandemia... Que diferença dos tempos de Banco. Hoje eu e meus colegas podemos apenas contemplar as notícias no jornal. O Monolito Negro da Avenida Chile está vazio, luzes apagadas, grades fechadas. Ninguém mais circula pelos belos jardins de Burle Marx. Em suas trincheiras domésticas, nossos colegas da ativa continuam trabalhando a distância. De suas mentes privilegiadas, saem soluções para atenuar o impacto dos anos de vacas magras a que fomos lançados, buscando pela engenharia financeira redimir este maravilhoso país, tendo sempre em mente o Povo Brasileiro, tão sofrido, mas tão cheio de esperança. 

Era o ano de 1975. Chegara cedo, pressentia que meu destino iria mudar. Com o coração cheio de esperança, subi ao 7º andar.  Av. Pres. Vargas 542. No blindex se lia BNDE – DEPES – Departamento de Pessoal, mas às 9h ainda não havia ninguém. Só então entendi... Havia sido aprovado em concurso para um banco, e bancos só abrem às 10 horas... 

Encontrei o então BNDE jovem, apenas 23 anos após sua criação, já como uma das ilhas de excelência do Estado brasileiro, pontificando no cenário econômico nacional. 

Nos dias de quarentena afloram as lembranças. Era recém-casado quando ingressei no Banco, tínhamos dois bebês de 1 e 2 aninhos... Corriam os anos 70, tempos de milagre, tempos do saudoso Marcos Vianna, o presidente que tanto tempo conduziu esta casa.  Era uma pequena grande família onde todos se conheciam. 

O Banco ainda era na Av. Rio Branco 53, a AF na Rua Teófilo Ottoni, a APA ainda um sonho distante, mesmo porque poucos estavam aposentados. 

Mais de 30 anos de trabalho, quase uma vida inteira sem pensar em nós mesmos, apenas o Banco e a Família, nossa Religião e as Políticas Operacionais, porque as prioridades se colocavam acima de tudo, seus fins eram superiores aos das empresas e dos governos, a sacralização do Homem, o valor mais alto de uma nação um dos princípios fundamentais, até que um dia o S apareceu ao final do BNDE, materializando a nossa visão, de que o Homem se alça acima do Estado, objetivo precípuo e final de nossos esforços.

Sento-me na varanda de casa, ao sol de inverno morno na manhã primaveril. Olhos semicerrados, um sonho se materializa em minha mente. Pareço me ver eu mesmo há muito tempo em uma festa no Clube da Barra, em roupas da época, cercado por rapazes e moças ainda jovens, e outros nem tanto. Reconheço um ou outro aqui e ali, uns se tornaram grandes expoentes, diretores, superintendentes, outros não tiveram tanta sorte. Para alguns a vida sorriu abundante, para outros menos. Lamentavelmente alguns partiriam prematuramente.  

Aos poucos, colegas de todas as épocas vêm chegando.  Mais uma vez os abraços apertados dos velhos companheiros, de uma época fantástica, eternos e antigos Benedenses, “happy few, band of brothers”...   

Tantos anos trabalhando juntos. Um dia pertencemos a uma instituição quase sagrada, sem saber que nos deixaria a marca indelével dos tempos em que aportamos a nossa modesta colaboração para o funcionamento da Poderosa Máquina Benedense neste imenso Brasil, ajudando esperançosos empreendedores a dar vida a um projeto: gerar mais empregos, mais progresso, maior justiça social para a nossa gente tão sofrida. 

Décadas se passaram. Colegas se mudaram, alguns partiram nos deixando a eterna lembrança. Eram jovens funcionários. Hoje jovens aposentados, ainda que o tempo que não perdoa tenha embranquecido raros cabelos e aumentado cinturas com mais alguns quilos, deixando as suas marcas, das quais alguns escapam, outros nem sempre...  

Colegas, como eu, passaram no disputado concurso... Mais algum tempo e já se tornavam benedenses autênticos, trabalhando pelo Brasil. Se lhes dissessem, não acreditariam. Sua existência neste Vale de Lágrimas seria plena de lutas, sofrimentos, alegrias, mas coroada de realizações. 

Hoje estamos aposentados, mas tão jovens de espírito como quando entramos... sorrisos, alegrias, recordações... O tempo passou mais depressa do que gostaríamos... Certamente valeu a pena. 

Acordo das minhas divagações com a festa terminando... O contentamento de todos com o reencontro...  maravilha... Ainda continuamos unidos pelos mesmos ideais de desenvolvimento do Brasil. 

Que venham mais festas, se o Grande Arquiteto do Universo assim o permitir, para estarmos juntos mais uma vez, sempre em alegrias, comemorando a Vida e a Eternidade Benedense! 

(*) Viveu o Sonho Benedense de 1975 a 2011.

 

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