Movimento

Edição nº1435 – quinta-feira, 1° de abril de 2021

Museu Nacional pertence à UFRJ!

Universidade se posiciona contra intenção do governo Bolsonaro de transformar Museu Nacional em centro turístico dedicado à família imperial

reprodução

 

A reitoria da UFRJ e a direção do Museu Nacional divulgaram nota no dia 27 de março relacionada à matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, de 26/3, que informava que o governo federal atua para transformar o Museu Nacional – cujo prédio e parte do acervo foram parcialmente destruídos por um incêndio em setembro de 2018 – num centro turístico dedicado à família imperial que governou o Brasil até à Proclamação da República, em 1989. 

Segundo o jornal, a iniciativa é articulada por entusiastas da monarquia de dentro e de fora do governo. A ideia do grupo monarquista é que o palácio de São Cristóvão, antiga residência dos monarcas Pedro I e II, seja reconfigurado para abrigar um centro dedicado ao Brasil imperial. O argumento é que a reconfiguração teria apelo turístico e preservaria a memória histórica do país. O acervo científico do museu seria destinado a um anexo da propriedade. O principal defensor da iniciativa era o ex-ministro Ernesto Araújo, das Relações Exteriores, até então expoente da ala ideológica do governo Bolsonaro. 

O Museu Nacional é um equipamento de perfil acadêmico e científico, e tem papel central para pesquisas nas áreas como antropologia social, arqueologia, zoologia e botânica. É ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, desde a década de 1930. O palácio é a casa do Museu Nacional desde 1892, sendo a mais antiga instituição científica do país. A iniciativa desvirtuaria, portanto, o uso que vem sendo dado ao espaço desde o início do período republicano no Brasil. 

O diretor do museu, Alexander Kellner, disse à Folha que a instituição não foi consultada sobre qualquer alteração no projeto de restauração em andamento. “Essa ideia é uma das mais estapafúrdias que já ouvi, nunca vi mais absurdo e ridículo. Seria matar o museu mais uma vez”, disse. “Aquele palácio sempre foi museu de história natural”. 

As negociações causaram também surpresa na reitoria da UFRJ. Segundo a reitora, Denise Pires de Carvalho, a movimentação “parece um golpe”. “Não acredito que o MEC vá tomar uma iniciativa de enfraquecer a área de antropologia social, arqueologia, zoologia, botânica, sem que a universidade seja avisada”, disse. “Há pós-graduações envolvidas de excelente nível, não é uma instituição estanque da academia, é importante para a universidade e também para o museu que ele permaneça aqui”. 

A Nota da reitoria da UFRJ e da direção do Museu Nacional 

“Museu Nacional pertence à UFRJ 

A respeito de informações veiculadas pelo jornal Folha de S. Paulo, que expõem um suposto interesse de grupos ideológicos aninhados no governo federal na transformação do Museu Nacional (MN) em palácio imperial com intenções dúbias, desprezo do acervo e consequente desvinculação entre o Museu e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ vem a público repudiar quaisquer movimentos que tentem alterar o papel e a configuração do mais antigo instituto científico do Brasil. 

Lembramos que todas as áreas do Museu Nacional pertencem tão somente à UFRJ, que detém autonomia didática, científica e de administração financeira garantida pelo artigo 207 da Constituição Federal. Assim sendo, qualquer deliberação patrimonial demandaria aprovação colegiada em diversas instâncias superiores da Universidade, como o Conselho de Curadores e o Conselho Universitário (Consuni − órgão máximo da UFRJ), estruturas que, certamente, rejeitariam a proposta obscura. A atual Reitoria reafirma que não há motivação para que tal pedido, sem fundamento, seja encaminhado aos colegiados superiores.  

A grosseira intenção presumida configuraria não só ato descabido, mas também tirânico contra a autonomia universitária, garantida pela Constituição Federal, contra a comunidade científica brasileira e internacional, contra a sociedade. 

É importante destacar, ainda, que o Museu Nacional não é entidade dedicada apenas à guarda de acervos. Além de ser casa da memória e do louvor à cultura e história do país e do mundo, ele é casa de produção de saberes, de ciência de ponta. Por exemplo, os estudos arqueológicos lá desenvolvidos representam o Brasil nos mais diversos rankings universitários internacionais que, ano após ano, colocam o Museu sempre em posição de vanguarda no país e na América Latina. Rejeitar seu histórico e potencial para o Brasil é denegar a própria história. 

Por fim, frisamos que o Museu Nacional é uma unidade da UFRJ de ensino, pesquisa e extensão, cuja indissociabilidade é prevista na Constituição Federal e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). O corpo social, que, diga-se de passagem, é altamente qualificado − composto por professores, pesquisadores, estudantes, servidores técnico-administrativos em educação e terceirizados −, jamais se dobraria a invenções estapafúrdias e fantasiosas como essa sobre a transformação do MN em palácio imperial. 

27/3/2021 

Reitoria da UFRJ e Direção do Museu Nacional” 

Orçamento para reconstrução do Museu é de R$ 379 milhões 

Na reportagem do dia 23/3, a Folha informa que o palácio de São Cristóvão teve suas fachadas preservadas, mas telhado e interior foram imensamente atingidos com incêndio que chocou o país. De 37 coleções —nas áreas de antropologia, botânica, entomologia, geologia e paleontologia, invertebrados e vertebrados—, 17 foram total ou parcialmente perdidas, 13 foram ou estão sendo resgatadas e sete não foram atingidas porque estavam em outros prédios. 

Mais de 10 mil peças dos acervos foram restauradas – o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo na América do Sul, foi resgatado. Em fevereiro, saiu o vencedor de licitação para o desenvolvimento do projeto de arquitetura e restauro. 

O orçamento total da reconstrução é de R$ 379 milhões, e R$ 244 milhões já foram captados. Unesco, Instituto Cultural Vale, Bradesco e BNDES apoiam o projeto, que envolve reforma e nova museologia. O Bradesco e o BNDES firmaram aporte de R$ 50 milhões cada um. ​ 

A reinauguração do bloco frontal do Museu Nacional está prevista para as festividades do bicentenário da Independência no ano que vem.

UFRJ aposta na mobilização social para reconstrução do Museu Nacional 

Para ampliar o potencial de captação de recursos para a reconstrução do Museu Nacional, a Associação Amigos do Museu Nacional (Samn) está autorizada pela UFRJ a buscar patrocínios para o restauro, obras e projetos da instituição bicentenária. Os patrocinadores, inclusive, poderão contar com incentivos fiscais para o apoio, de acordo com as normas e os procedimentos da Secretaria Especial de Cultura do Ministério do Turismo.  

O Projeto Museu Nacional Vive é resultado de uma cooperação técnica entre a UFRJ, a Unesco e o Instituto Cultural Vale. A iniciativa aposta na mobilização social e na articulação permanente de parcerias com instituições públicas, privadas e do terceiro setor para reabrir o Museu o mais breve possível. 

Até dezembro de 2020, o projeto contava com o patrocínio da Vale, do BNDES, do Ministério da Educação (MEC), da Bancada Federal do Rio de Janeiro, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e com apoios governamentais de países como Alemanha e Áustria e órgãos britânicos e dos EUA.

 

 

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Câmara realizará audiência pública sobre reestruturação do Banco do Brasil

Associações de funcionários e aposentados do Banco do Brasil, Contraf-CUT e Sindicato dos Bancários de Brasília foram convidados para a audiência ainda sem data marcada 

A Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados aprovou, no dia 30 de março, requerimento para realização de audiência pública sobre a proposta de reestruturação do Banco do Brasil.

A Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB) está entre as entidades convidadas para participar da audiência, cuja data de realização ainda será definida. Além da Associação, deverão estar presentes a AAFBB, Contraf/CUT, FAABB e o Sindicato dos Bancários de Brasília.

O tema do debate é a proposta apresentada em janeiro deste ano pela diretoria do Banco do Brasil para a reestruturação da instituição com base no fechamento de agências, em Plano de Demissões Voluntários (PDV) e na extinção de funções.

Na justificativa de realização da audiência, os autores enfatizam que o BB é um banco público, de atuação “vinculada às demandas da população, garantindo atendimento em municípios onde bancos privados não possuem interesse em atuar. Além disso, o Banco do Brasil hoje possui a missão institucional de oferecer linhas de créditos à agricultura”. 

Os autores também lembram que o PDV proposto alcança mais de 5 mil funcionários do BB, o que equivale a 5,4% do quadro de pessoal do banco. “O PDV não afeta apenas os funcionários que realizam a adesão, significa sobrecarga de trabalho para os que permanecem e extinção de vagas, uma vez que são postos que deixaram de existir permanentemente”, destaca a justificativa.

Fonte: ANABB