Movimento

Edição nº1439 – sexta-feira, 30 de abril de 2021

Empregados da Caixa fazem paralisação contra privatização e desmonte 

Funcionalismo do Banco do Brasil também está atento a projetos de desestatização

reprodução

 

Os empregados da Caixa Econômica Federal realizaram na terça-feira (27) paralisação nacional de 24 horas. A atividade foi uma resposta dos trabalhadores ao desmonte da empresa imposto pela direção do banco e à abertura de capital da Caixa Seguridade. Segundo o Sindicato dos Bancários do Rio, os bancos privados estão de olho na lucratividade da subsidiária, que tem a terceira maior participação no mercado de seguros do Brasil (13,5%).  No Rio, de acordo com o Seeb, foram paralisadas todas as unidades da Av. Rio Branco, centro financeiro da cidade.

“A adesão dos empregados foi total e até trabalhadores em home office participaram da paralisação. Tivemos também o apoio da população. Os bancários estão compreendendo os riscos desta abertura de capital, os interesses privados que estão por trás. Demos uma resposta de unidade e de que vamos lutar contra todos os ataques do governo Bolsonaro aos bancos públicos e aos direitos dos trabalhadores”, disse o vice-presidente do Sindicato, Paulo Matileti. O sindicalista lembrou que a maioria da população é contra a privatização da Caixa. “A sociedade percebeu a importância de um banco público durante esta pandemia. Se o auxílio emergencial, FGTS e seguro desemprego dependessem dos bancos privados, o povo estaria perdido, à deriva”, enfatizou.

Pesquisas realizadas no ano passado mostraram que 60,6% dos brasileiros são contra a privatização da Caixa, mesmo com toda a propaganda da grande mídia em defesa da venda das instituições públicas do país. Já 57,8% disseram ser contra a privatização do Banco do Brasil.

O Sindicato alerta que a venda de ações da Caixa Seguridade para os empregados é uma cilada do governo para consolidar o projeto de privatização. “A Caixa quer transformar os empregados em cúmplices da privatização. A estratégia é seduzir o bancário a comprar ações e transformá-lo em agente da privatização da própria empresa, levando o trabalhador a fechar seu próprio posto de trabalho. Estamos alertando que quem aderir à proposta poderá ficar com ações no mercado, mas sem emprego”, ressaltou Matileti. 

Fenae também na luta – “Mandamos uma mensagem para o presidente da Caixa. Os empregados mostraram toda a sua indignação e que não aceitam o fatiamento do banco público. Queremos a Caixa pública e para todos os brasileiros”, destacou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.

Coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt, reforçou a importância do dia de luta e da união dos empregados. “Nossa reivindicação é pela Caixa 100% pública e contra os ataques dos que querem desmantelar a nossa empresa. Lutamos pelo pagamento correto da PLR Social, por mais contratações, pela vacina, porque somos linha de frente e serviço essencial, mas também queremos o melhor atendimento para a população”, afirmou.

A Caixa ingressou, na noite de segunda-feira (26), com pedido de tutela cautelar alegando que a paralisação dos empregados era abusiva, com cunho político e ideológico. No entanto, o juiz do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Maurício José Godinho, indeferiu o pedido e determinou que apenas os serviços de compensação bancária e o pagamento do auxílio emergencial deveriam ser realizados, garantindo o direito de greve de cerca de 40% dos trabalhadores.
“A Contraf-CUT acatou a determinação do TST. A direção da Caixa e o governo Bolsonaro tentam fragilizar o banco, que é público, além de não cumprir o acordo coletivo. Estão entregando ao mercado financeiro o setor mais estratégico, responsável por 45% do lucro do banco. Tentaram impedir a manifestação dos funcionários e acabaram dando um tiro no próprio pé, pois a decisão da Justiça reconheceu a legalidade da greve e que cumprimos as formalidades para fazer a paralisação. Acabaram divulgando ainda mais nossa luta, que é justa”, afirmou Juvandia Moreira, presidente da
Contraf-CUT. 

Banco do Brasil também é alvo de projetos de privatização

Segundo a Contraf-CUT, os funcionários do Banco do Brasil também estão atentos às tentativas de privatização da instituição, destacando o apensamento do Projeto de Lei 461/2021, que inclui o Banco do Brasil no Programa Nacional de Desestatização, ao PL 3091/2019, que trata de assunto correlato.

O PL 461/2021, do deputado
Kim Kataguiri (DEM-SP), foi apensado ao PL 3091/2019, do deputado Danilo Cabral (PSB-PE), que tinha sido apensado ao PL 6490/1996, da deputada Angela Albino (PCdoB-SC).

“O deputado Kim Kataguiri, infelizmente, 
desconhece o trabalho árduo dos funcionários e das funcionárias, assim como a importância do Banco do Brasil para o país e para os brasileiros”, critica Jeferson Meira, secretário de Relações do Trabalho da Confederação Nacional dos Bancários.

Coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga lembra que os projetos tratam do mesmo tema, mas alguns deles se contrapõem. “E, nesse sentido, é bom que a categoria esteja atenta para pressionar o deputado que for escolhido para a relatoria. Esses alertas de agora não são apenas para os sindicatos, mas também para o relator ver que se fizer alguma proposta de privatização do banco pode não passar impune pelo julgamento dos trabalhadores na próxima eleição”, afirmou.

Para a conselheira representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banco do Brasil, Débora Fonseca, a reação dos funcionários é muito importante para demonstrar ao governo que, caso se enverede por esse caminho de ataque e privatização, será cobrado e pressionado não só pelos funcionários mas por diversos setores da sociedade que dependem do apoio do Banco do Brasil para o desenvolvimento de suas atividades”, concluiu.
 

 

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