Movimento

Edição nº1492 – sexta-feira, 13 de maio de 2022

Décadas de neoliberalismo e o desastre econômico como resultado

“Governo resgata realidade com a qual brasileiros haviam se desacostumado: a inflação”, diz o presidente da ABNDES, Arthur Koblitz, em entrevista ao Programa Faixa Livre

A conta chegou, e bem pesada, para todos os brasileiros. A escalada morro acima de preços no Brasil impactou a economia nos últimos meses, como mostram alguns indicadores. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA — indicador oficial de inflação –, por exemplo, chegou a 1,06% em abril, simplesmente a maior taxa para o mês desde 1996. E os números e percentuais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, mostram que, no mesmo mês, o índice de difusão do IPCA foi de 78,3%, o maior desde janeiro de 2003 (85,9%). A realidade trágica da economia brasileira foi debatida pelo presidente da Associação dos Funcionários do BNDES, Arthur Koblitz, membro eleito do Conselho de Administração do BNDES, durante entrevista ao programa Faixa Livre, da Rádio Bandeirantes AM-RJ, no último dia 11 de maio: “Tudo indica que teremos a conclusão da gestão econômica desastrosa de Paulo Guedes este ano, com o retorno do país a uma situação com a qual estávamos até desacostumados, a volta da inflação acelerada”,

O economista ressaltou que o retorno da inflação calcada em dois dígitos representa uma derrota da ideia de que o país estava livre de taxas de juros altíssimas, também na casa de dois dígitos. “Lembrando que uma das razões que motivou o fim da TJLP (taxa de juros de longo prazo), a taxa de juros do BNDES, era porque culpavam a taxa do Banco pela alta da taxa de juros no Brasil. Agora estamos vendo a volta da taxa de juros alta sem a TJLP. É o coroamento de uma péssima gestão da economia, de uma péssima equipe econômica, e a adoção de um neoliberalismo mais cru”, avaliou Koblitz.

O auxílio emergencial concedido recentemente pelo governo, em um período que antecede a campanha eleitoral à Presidência da República, também foi questionado pelo presidente da AFBNDES, para quem o auxílio tem um propósito “totalmente eleitoreiro”. “É um ultraliberalismo que não deixa de ser populista também, que abre porta para um populismo raso. Esse auxílio emergencial não bate com o discurso dele (Jair Bolsonaro). Alguém pode concordar com o auxílio, mas não com as bases de argumentação que usam, no caso, puramente eleitoreiras. O governo Bolsonaro é uma ameaça democrática. Se fosse um governo bem-sucedido, seria mais perigoso. E quem paga mais no Brasil pelo desastre econômico são os pobres”, assinalou.

Agenda neoliberal – O neoliberalismo, destacou o economista, traz consigo uma dificuldade eleitoral acentuada. Koblitz atribui ao neoliberalismo a derrocada da presidente Dilma, que, após a eleição, assumiu uma gestão neoliberal ao convocar para seu governo o economista Joaquim Levy, que anos depois assumiria a presidência do BNDES no mandato de Bolsonaro: “E depois o Temer, com a expectativa de fazer um sucessor, foi derrotado pelo compromisso com a agenda neoliberal. Então vemos, na sequência, um terceiro candidato, um terceiro presidente da República, atropelado politicamente pelo neoliberalismo”.

Koblitz ressaltou que o país precisa urgentemente libertar-se desse “compromisso” com o neoliberalismo mantido nas últimas décadas e alerta para que a sociedade faça a cobrança dos candidatos, sejam eles quais forem, da apresentação de seus programas econômicos: “Têm que dizer que tipo de compromisso terão ou não com as atuais políticas macroeconômicas no Brasil. Acho difícil alguém negar que o fenômeno antidemocrático, e é isso que o Bolsonaro traz de novo, é o responsável por essa destruição. O neoliberalismo piorou o Brasil. O desemprego, a frustração constante, a miséria, a desesperança, os planos fracassados das famílias, o fim da indústria. Esse fruto de desesperança é plantado pelo neoliberalismo”.

Perseguição aos empregados do BNDES – O economista também recordou a perseguição a que os empregados do BNDES vêm sendo submetidos nos últimos anos, ou seja, um processo deflagrado no mandato de Michel Temer e intensificado no de Bolsonaro: “Quando a atual diretoria assumiu, a de Gustavo Montezano, o segundo presidente do BNDES no governo Bolsonaro, eles vieram para cima para tentar destruir a gente. Vieram para acabar com a AFBNDES mesmo durante a negociação do Acordo Coletivo de Trabalho. Fizeram todo tipo de coisa. Vieram realmente para liquidar, acabar, inclusive, com a liberação de alguns funcionários para atuarem na Associação. Mas de uns três anos para cá, a AFBNDES nunca foi tão representativa, a Casa nunca esteve tão unida em torno dela como está hoje”.

O Programa Faixa Livre vai ao ar, ao vivo, na Rádio Bandeirantes (1360 AM) – toda segunda-feira, das 9 às 10h; e de terça a sexta-feira, das 8 às 10h.

 

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