Movimento

Edição nº1497 – sexta-feira, 17 de junho de 2022

Dossiê mostra atuação anti-indígena da Funai durante o governo Bolsonaro

Servidores da Fundação paralisaram suas atividades por 24 horas no dia 14 de junho

O desaparecimento (e a trágica morte descoberta dias depois) do indigenista Bruno Araújo Pereira e do jornalista Dom Phillips, no Vale do Javari, no Amazonas, é resultado de uma política anti-indígena implementada na Fundação Nacional do Índio (Funai) desde o início do governo Jair Bolsonaro. 

Na terça-feira (14), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em conjunto com a Indigenistas Associados – Associação de Servidores da Funai (INA), divulgaram um dossiê de mais de 200 páginas sobre como a Fundação está alinhada em atender aos interesses dos ruralistas em detrimento dos direitos indígenas. 

Para a elaboração do material foram analisados documentos oficiais, depoimentos de servidores, reportagens e publicações de organizações da sociedade civil nos últimos três anos. 

Segundo o documento, atualmente, apenas duas das 39 Coordenações Regionais da Funai são chefiadas por servidores públicos. A maioria está sob o comando de oficiais das Forças Armadas e por policiais militares e federais. O presidente da Fundação, Marcelo Xavier, é delegado da Polícia Federal. 

Paralisação – Também no dia 14 de junho, os servidores da Funai paralisaram suas atividades por 24 horas em protesto contra as declarações do presidente do órgão, Marcelo Xavier, que afirmou que o jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, que estavam desaparecidos desde 5 de junho, não tinham autorização para entrar na área indígena.  

Os servidores criticaram o fato de que não havia sido divulgada, pela direção da Funai, nota de solidariedade e de apoio às famílias dos até então desaparecidos. Bruno Pereira era funcionário da Fundação, mas estava afastado desde que foi exonerado do seu cargo após coordenar uma operação que expulsou centenas de garimpeiros de terra indígena em Roraima.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) respondeu que Bruno Pereira tinha licença para entrar em território indígena. Já a Justiça Federal da 1ª Região condenou a Funai a retirar toda e qualquer acusação ou menção depreciativa à Univaja, além de ficar proibida de “desacreditar a trajetória do indigenista Bruno da Cunha de Araújo Pereira e do jornalista Dom Philips”.    

Em carta enviada a Marcelo Xavier, os indigenistas exigiam o envio imediato de forças de segurança pública para assegurar a integridade física dos que atuam lotados nas Bases de Proteção do Vale do Javari – Quixito, Curuçá e Jandiatuba, bem como nas sedes das CRs do Vale do Javari e CFPE-VJ”, região onde Bruno e Dom desapareceram.  

No documento, eles também cobram o imediato envio de força tarefa para apoio aos servidores e às atividades das CRs Alto Solimões e Vale do Javari, bem como da FPE-V.

 

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Funcionários do Banco Central votam por manter greve

Em assembleia geral deliberativa realizada na terça-feira (14), os funcionários do Banco Central decidiram manter a greve e a luta em defesa da reestruturação da carreira com reajuste salarial. O sindicato da categoria (Sinal) defendeu a continuidade do movimento “no sentido de intensificar a pressão para que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, receba as entidades representativas e para que haja o envio de uma medida provisória contemplando as demandas da categoria, conforme 

contraproposta apresentada à direção do banco”.

A manutenção da paralisação foi aprovada por 80% dos votos, segundo o presidente do Sinal, Fábio Faiad. A próxima assembleia ocorrerá em 21 de junho.

A greve dos funcionários do Banco Central começou em 1º de abril. Em 19/4, a categoria suspendeu o movimento, dando um voto de confiança à direção do BC. Sem resultado positivo, a paralisação foi retomada em 3 de maio.