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Edição nº1497 – sexta-feira, 17 de junho de 2022

Amazônia concentra os municípios que mais emitem gases de efeito estufa no Brasil

Oito dos dez municípios que mais emitem gases de efeito estufa no país estão na Amazônia, onde o desmatamento é a principal fonte de emissões, informa o Observatório do Clima (OC), rede de entidades da sociedade civil brasileira formada com o objetivo de discutir as mudanças climáticas no contexto brasileiro, mais especificamente o aquecimento global.  

Altamira e São Félix do Xingu, no Pará, lideram a lista, seguidos por Porto Velho (RO) e Lábrea (AM). São Paulo e Rio de Janeiro são os únicos fora da Amazônia entre os campeões de emissões, na quinta e oitava posições, respectivamente. Em 2019, os dez municípios emitiram juntos 198 milhões de toneladas brutas de dióxido de carbono equivalente (MtCO2e), mais do que todas as emissões de países como Peru e Holanda. É o que revela a segunda edição do SEEG Municípios (Sistema de Estimativa de Emissão de Gases), uma iniciativa do Observatório do Clima. 

O SEEG calculou as emissões de gases de efeito estufa de todos os 5.570 municípios brasileiros. O levantamento cobre duas décadas (2000-2019) e inclui mais de uma centena de fontes de emissão nos setores de energia, indústria, agropecuária, tratamento de resíduos e mudança de uso da terra e florestas. 

“As emissões em Altamira (PA), líder do ranking, atingiram 35,2 MtCO2e em 2019. Se fosse um país, o município do Pará seria o 108º do mundo em emissões, à frente de Suécia e Noruega, segundo dados do CAIT, o ranking global de emissões do World Resources Institute”, informa o OC. 

O estudo mostra que, na última década, as emissões na Amazônia se concentraram no sudoeste do Pará, em Porto Velho (RO) e Lábrea (AM). A maior parte dessas emissões é resultado do desmatamento — segundo o MapBiomas Alerta, 98% do desmatamento na região tem indícios de ilegalidade. 

A Amazônia encabeça o ranking de emissões per capita. Dos dez municípios com mais emissões por habitante, 6 são de Mato Grosso, 3 do Pará e 1 do Amazonas. Em Novo Progresso (PA), por exemplo, epicentro do desmatamento no eixo da BR-163, foi registrada a décima maior emissão por habitante do país: 580 toneladas de CO2e por ano, ou seja, 14 vezes a emissão de um cidadão do Qatar, o país com maior quantidade de carbono per capita do planeta. “É como se cada morador de Novo Progresso tivesse mais de 500 carros rodando 20 km por dia com gasolina. A média global é de 7 toneladas de CO2e ao ano por habitante”, diz o estudo. 

Leia mais, no site do Observatório do Clima


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Funcionários do Banco Central votam por manter greve

Em assembleia geral deliberativa realizada na terça-feira (14), os funcionários do Banco Central decidiram manter a greve e a luta em defesa da reestruturação da carreira com reajuste salarial. O sindicato da categoria (Sinal) defendeu a continuidade do movimento “no sentido de intensificar a pressão para que o presidente do BC, Roberto Campos Neto, receba as entidades representativas e para que haja o envio de uma medida provisória contemplando as demandas da categoria, conforme 

contraproposta apresentada à direção do banco”.

A manutenção da paralisação foi aprovada por 80% dos votos, segundo o presidente do Sinal, Fábio Faiad. A próxima assembleia ocorrerá em 21 de junho.

A greve dos funcionários do Banco Central começou em 1º de abril. Em 19/4, a categoria suspendeu o movimento, dando um voto de confiança à direção do BC. Sem resultado positivo, a paralisação foi retomada em 3 de maio.