Editorial

Edição nº1510 – sexta-feira, 16 de setembro de 2022


Cadê a diretoria do BNDES?

Mais uma vez os empregados do BNDES estão sob ataque do ministro da Economia, Paulo Guedes. Acusações feitas no estilo baixaria que envergonhou o país tantas vezes nos últimos três anos.

Segundo o ministro, o jurídico do BNDES tem argumentado contra a devolução de recursos que foram emprestados ao Banco por corporativismo. Isso é mentiroso. A operação de devolução de tais recursos não tem nada a ver com o pagamento de PLR aos empregados ou com questões relacionadas ao nosso Plano de Saúde, como alega o ministro.

Nos últimos seis anos o BNDES devolveu (pagou antecipadamente empréstimos) ao Tesouro quase R$ 500 bilhões de reais (em termos nominais)! Que resistência à devolução é essa? A realidade é o inverso do criado por Paulo Guedes. Como a AFBNDES argumentou várias vezes, foi um erro devolver esses recursos ao invés de desembolsá-lo para financiar os investimentos tão necessários ao país. Toda política da atual gestão do BNDES foi de gerar condições favoráveis para permitir que esse governo sugasse recursos do desenvolvimento para resolver seus problemas fiscais. A venda de ações, de um lado, inflou o caixa do Banco e a manutenção da TLP, sem qualquer revisão, dificultou o escoamento dos recursos para a economia real. O que se acumulou no caixa garantiu a liquidez para que as bilionárias devoluções continuassem ocorrendo.

Por enquanto, mais estridente que a deselegância e a desonestidade intelectual de Paulo Guedes é o silêncio do presidente do Banco, Gustavo Montezano, incapaz de se manifestar em defesa de seus subordinados.

Montezano "cortou relações" com a AFBNDES simplesmente porque não gostou de um editorial publicado no VÍNCULO logo após a primeira e única reunião que com ele tivemos. O motivo da revolta é que ele interpretou equivocadamente o que era um alerta aos empregados do Banco para não se deixarem levar por ambições e carreirismo em detrimento da defesa da instituição, como se fosse um ataque a ele. Ficou ofendido porque achou que foi chamado de "carreirista".

Pois é, não lhe fizemos essa crítica à época, mas talvez seja necessário fazer agora. Só um carreirista e, ainda assim, um sem visão da dimensão do cargo que ocupa aceitaria a omissão diante desse mais novo ataque do ministro da Economia ao BNDES.

Se não for isso, é necessário que o presidente venha a público manifestar seu desacordo com esses ataques do ministro à honra do corpo funcional do BNDES.

Os empregados do BNDES não se intimidarão. Essa moral oca de um lobo do mercado financeiro, como Paulo Guedes, que construiu sua carreira sugando a riqueza produzida no Brasil, não impressiona empregados que trabalham para uma instituição que esteve presente, cumprindo papel fundamental, em cada passo que a sociedade brasileira deu para se modernizar e avançar.

 

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